sábado, 14 de Novembro de 2009

A série Um Mundo Catita já saiu em DVD, pelo que não me vou atirar da ponte abaixo

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Psycho

Uma das sequências menos apreciadas de Psycho (1960), de Alfred Hitchcock, é a explicação do psiquiatra no final. Quase toda a gente concorda que a sequência é longa e fastidiosa e que o filme estaria melhor sem ela. Porém, nada poderia estar mais errado. A explicação é essencial para a compreensão da história e esclarece muitas coisas que tinham ficado pouco claras, sobretudo para quem vê o filme pela primeira vez. Mas há outra razão, mais importante ainda, para essa sequência. Ela surge estrategicamente colocada entre a captura de Norman Bates e o final na cela, o que permite que o espectador respire de alívio entre esses dois momentos assustadores. Isto demonstra todo o talento de manipulador de Hitchcock. O realizador, grande conhecedor dos princípios dramáticos, compreendeu rapidamente que a atenção do público não é constante e uniforme e que precisa de tempo para recuperar o fôlego.

domingo, 4 de Outubro de 2009

Roman Polanski

O caso Roman Polanski é, em boa medida, uma questão de tempo. Não é a mesma coisa decidir um processo destes trinta dias ou trinta anos depois dos factos. O apuramento da verdade torna-se mais difícil, porque a frescura das provas já não é a mesma. E quanto mais a justiça demora, mais graves são os prejuízos para os envolvidos – incluindo a queixosa. Todos concordam, por isso, que o prolongamento deste processo é absurdo e injusto. Só o sistema judicial americano é que teima que não.

segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Se a série Um Mundo Catita não sair em DVD, atiro-me da ponte abaixo

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Inglourious Basterds

O início de Inglourious Basterds (2009), de Quentin Tarantino, é uma delícia para os cinéfilos. Toda a sequência da casa do lavrador evoca o famoso exemplo da bomba debaixo da mesa que Alfred Hitchcock usava para distinguir surpresa e suspense: haveria suspense se o espectador soubesse de antemão que uma bomba estava prestes a rebentar debaixo da mesa; e haveria surpresa se a bomba rebentasse subitamente, sem que o espectador suspeitasse da sua existência. Mas Tarantino não se limita a imitar o exemplo de Hitchcock e aproveita o melhor dos dois mundos: surpreende o espectador quando revela a bomba (neste caso, a família de judeus) que se esconde por debaixo dos protagonistas; e, a partir desse momento, o suspense cresce até ao insustentável. Mais uma vez, Tarantino não deixa os seus dotes de manipulador por mãos alheias.

quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

In Cold Blood

In Cold Blood (1966) é um romance genuinamente americano. Não só porque as suas personagens e o seu assunto são americanos, mas também porque apenas um escritor americano poderia criar um livro assim. A escrita de Truman Capote é objectiva e cristalina. Tal como a generalidade dos seus compatriotas, Capote vai directo ao assunto e descreve a realidade como ela é, sem adornos nem juízos de valor. Nada de meias tintas, nada de floreados. É esta limpidez de linguagem que alguns europeus mais presunçosos não compreendem e classificam de simplismo ou superficialidade.

quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Infamous

Uma das sequências mais notáveis do filme Infamous (2006) é a da festa de Natal em casa dos Deweys. O protagonista Truman Capote aceita o convite com prazer mas a festa começa por ser embaraçosa. Os intervenientes mal se conhecem, têm pouco em comum e não há muito para dizer. Pouco a pouco, a personalidade magnética de Capote começa a dar sinais de vida. Os Deweys deixam-se fascinar cada vez mais pelo paleio do escritor e até o adolescente da casa se junta à conversa dos adultos. Toda esta sequência retrata maravilhosamente a qualidade mais marcante de Capote: o seu carisma. Foi esse mesmo carisma - e não o dinheiro, a chantagem ou a violência - que lhe permitiu, mais tarde, conquistar a confiança do duo de assassinos e aceder ao manancial de pormenores descritos no romance In Cold Blood.

segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Ansiedade crónica

Se alguém souber de uma solução para esta porcaria da ansiedade crónica, que diga qualquer coisa. Obrigado.

quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Suicide

«To all those talking about suicide: If your only accomplishment in life is to struggle through it take all the sh*t thats thrown at you and somehow make it to the end then you should consider that an achievement in itself. Even if you're the only one to know about it.»

sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Stephen Fry

A autobiografia Moab is My Washpot é uma excelente oportunidade para descobrir a escrita de Stephen Fry. É uma escrita envolvente e sedutora, que denota um prazer enorme pela experimentação da linguagem. E a propósito de linguagem, há duas peculiaridades que saltam logo à vista do leitor. A primeira é o gosto pela enumeração. O texto de Fry está cheio de inventários que servem para sublinhar e enfatizar os seus pontos de vista. A segunda peculiaridade é a apetência pelos faits divers. Fry adora divagar e fugir ao cerne da questão, mas sabe fazê-lo com talento. Longe de aborrecer o leitor, todos esses detalhes aparentemente irrelevantes tornam a sua leitura mais ligeira e aprazível - um pouco como o viajante que, antes de chegar ao destino, se detém junto dos pormenores encantadores que encontra ao longo do caminho.

terça-feira, 30 de Junho de 2009

Zack and Miri Make a Porno

O filme Zack and Miri Make a Porno (2008) é uma desilusão. O assunto é a produção de um filme pornográfico caseiro, mas a maior obscenidade de todas é a escrita do argumentista e realizador Kevin Smith. O senhor escreve com a subtileza de um bulldozer. Os seus diálogos são aborrecidos e banalíssimos; não basta encher um guião de palavrões para se fazer um filme espirituoso. Mas o Smith não é apenas gratuito, também é preguiçoso: não fez o trabalho de casa e, manifestamente, pouco ou nada sabe sobre a indústria porno e as pessoas que nela trabalham – ou sobre pessoas, pura e simplesmente.

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

PEF

As melhores manhãs radiofónicas do mundo são as do Posto Emissor do Funchal (PEF).

quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Adolf Hitler

O nazismo também teve coisas boas. Os progressos promovidos pelo Terceiro Reich na ciência e tecnologia revolucionaram o mundo e ainda hoje são sentidos. A tecnologia usada nos V-1 e V-2 acabaria por colocar o homem na lua. No domínio social, uma grande percentagem de alemães vivia bem. Adolf Hitler restaurou a economia falida em menos de cinco anos, fundou escolas profissionalizantes para os que não possuíam qualificações e acabou com o desemprego. O Partido de Hitler também proporcionou às massas ocupações que até então eram privilégio de uma elite restrita: desporto, artes e teatro. O gozo de férias através do movimento Kraft durch Freude inspirou iniciativas semelhantes que, ainda hoje, beneficiam milhões de pessoas.

terça-feira, 9 de Junho de 2009

Disfunção Eréctil

A disfunção eréctil (DE) é um problema comum. Estima-se que só nos Estados Unidos o número de pichas frias ultrapasse os trinta milhões; em Portugal, as coisas também tendem a piorar, sobretudo com a crise, o desemprego e as consequências desastrosas que tudo isso traz para a vida sexual das pessoas. Por detrás destes números catastróficos está o medo que os homens têm em procurar ajuda profissional, já que a DE é, na realidade, facilmente tratável. Os medicamentos da família do Viagra (inibidores da enzima fosfodiesterase) são os mais populares: só o Viagra rende à Pfizer mais de 1,2 mil milhões de dólares por ano. Há ainda soluções injectáveis, terapias hormonais, próteses. E daqui a alguns anos o arsenal de meios terapêuticos será ainda maior. Uma dessas soluções futuras é a terapia genética, que promete mais eficácia e espontaneidade: uma única injecção de material genético assegura seis meses de pau feito. Outra solução é o Zoraxel, o comprimido milagroso desenvolvido pela Rexahn que pretende melhorar não só erecções, mas também libido e orgasmos.

domingo, 7 de Junho de 2009

Casamento gay

Tudo indica que em breve o casamento gay será legalizado em Portugal. A medida só peca por tardia, porque negar a tanta gente o direito de constituir família é tão absurdo como proibir as calças às mulheres (na altura, também se falou muito em valores, tradição, etc) ou reservar aos brancos os lugares sentados dos autocarros. Porém, no melhor pano cai a nódoa. É pena que uma questão tão importante como o casamento entre pessoas do mesmo sexo tenha sido apropriada por um eterno grupelho de associações ditas cívicas. Não só porque as ditas associações não reflectem a riqueza e diversidade de opiniões da comunidade LGBT, mas também porque lhes falta qualquer espécie de legitimidade democrática para falar em nome de quem quer que seja. Que se saiba, nunca os homossexuais portugueses sufragaram ou mandataram essa gente. E se pudéssemos espreitar para o interior dessa plêiade, talvez não ficássemos muito satisfeitos: um amontoado de sanguessugas oportunistas e medíocres, aquilo que em bom madeirense se chama de ninho de ratos.

sexta-feira, 5 de Junho de 2009

«Se tens saúde de ferro, não bebas água que enferruja»

terça-feira, 2 de Junho de 2009

The Strangers

O filme The Strangers (2008), com a linda Liv Tyler, está a passar despercebido nas salas de cinema. Há muita gente que diz que não gosta, porque supostamente não tem história e é apenas o registo cinematográfico de um massacre. Isto até nem é grande novidade, já que quase todos os filmes de terror seguem normalmente o mesmo destino. Porém, esta reacção é completamente injustificada e demonstra algum desconhecimento do que é o género de terror. Tal como as tragédias gregas, os filmes de terror repisam sempre as mesmas histórias e personagens, porque são puros exercícios de estilo. Um filme destes não tem que se preocupar com grandes originalidades ou enredos complexos, mas apenas em usar a gramática cinematográfica da forma mais eficaz possível. Saber usar montagem, mise en scène, efeitos especiais para nos assustar de morte, aí é que está o mérito de The Strangers e todos os bons filmes de terror.

domingo, 3 de Maio de 2009

«Sócrates paneleiro, vai roubar para Espanha» (inscrição na porta do WC do Centro Comercial Alvaláxia)

segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Berlin Tegel

No aeroporto de Tegel, em Berlim, um casal gay beija-se sem o risco de levar com uma pedra. É bonito.

terça-feira, 31 de Março de 2009

Gran Torino

Quem não chorar quando o Clint Eastwood empresta o carro ao Thao e à Yum Yum, é porque tem uma pedra em vez de coração.

segunda-feira, 23 de Março de 2009

Aliens

As sequelas cinematográficas são uma faca de dois gumes. Elas podem parecer um investimento seguro aos olhos dos produtores, mas, porque as expectativas do público estão mais elevadas, raramente conseguem igualar os filmes originais e acabam por ser uma desilusão. Uma excepção notável foi Aliens (1986), de James Cameron. O filme não só igualou como terá até suplantado o primeiro Alien de Ridley Scott. Cameron conseguiu juntar o melhor de dois mundos: foi arrojado e original ao combinar os cinemas de acção e ficção científica; mas essa mesma dissolução de géneros permitiu-lhe também ser fiel ao espírito do filme original - também ele uma mistura insólita de géneros - e conquistar a aceitação imediata dos fãs.

domingo, 22 de Fevereiro de 2009

The curious case of David Smith (with pictures)

domingo, 25 de Janeiro de 2009

«Hitchcock... is that a disease?»

quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

Blindness

O filme Blindness (2008), realizado por Fernando Meirelles e baseado no livro do José Saramago, até começou muito bem. A cegueira branca é uma metáfora sumarenta e constitui um desafio aliciante para qualquer cineasta. Tudo parecia prometer um espectáculo cinematográfico grandioso, mas o resultado final é um pouco decepcionante. O realizador quis começar a construir a casa pelo telhado e preocupou-se mais em vender uma ideologia do que contar uma boa história. As inverosimilhanças e incongruências de Blindness são demasiado flagrantes (por exemplo, nunca se explicou muito bem o encarceramento dos cegos e as condições miseráveis em que era feito) para que o espectador inteligente seja persuadido a reflectir sobre o que quer que seja.

sábado, 27 de Dezembro de 2008

Votos de festas felizes (apesar da programação de tv)

segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Easy Jet

Voar entre Lisboa e o Funchal ficou mais fácil. A Easy Jet passou a assegurar a ligação aérea e rompeu com um monopólio de décadas da Tap. Os madeirenses têm excelentes razões para festejar. É verdade que a empresa inglesa não presenteia os seus passageiros com uma refeição ligeira (i.e. uma carcaça e um sumo concentrado) mas em tudo o resto é melhor que a congénere portuguesa: preços, pessoal de bordo, assistência em terra. O que torna, porém, a Easy Jet não só mais eficiente mas também mais decente e honesta que a Tap é a pontualidade dos voos. A pontualidade não é apenas um gesto de cortesia mas um verdadeiro dever ético e moral. Os protestantes, por exemplo, acreditam que todos os nossos minutos serão contabilizados perante Deus no Dia do Juízo Final. Palpita-me que, quando chegar a hora, o Pinto Amaral e seus colaboradores terão muitas explicações a dar.

domingo, 7 de Dezembro de 2008

Escape from L.A.

O filme Escape from L.A. (1996) deve ser visto várias vezes. Ver só uma vez não chega, porque não conseguimos absorver todos os pormenores desta obra extraordinária de John Carpenter. Um desses pormenores expressivos é a presença de crianças no corredor dos deportados. É expressivo porque revela a demência a que chegou a América de Carpenter. Num Estado de Direito decente, as crianças são absolutamente inimputáveis e, mesmo que pratiquem factos que sejam objectivamente crimes, apenas poderão estar sujeitas a medidas tutelares de protecção, assistência ou educação. Ou, pior ainda, talvez aquelas crianças do futuro não tenham praticado crime algum e estejam a pagar pelos supostos erros dos pais, como sucedeu com os meninos judeus na Alemanha nazi. É caso para dizer, citando o protagonista do filme, que «quanto mais as coisas mudam, mais elas ficam na mesma».

quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Jackie Mason

quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Quantum of Solace

Há um momento de Quantum of Solace (2008) que mais se assemelha a um acto de contrição do próprio filme. Após ter sido surpreendida por um agente duplo, M questiona a sua capacidade para escolher colaboradores. O mesmo problema – má escolha dos colaboradores – está na origem do fiasco do filme. A culpa cabe ao produtor, já que é ele quem coordena, supervisiona e dirige a escolha do pessoal e, no caso deste novo Bond, as escolhas estavam todas erradas: Mathieu Amalric foi um vilão desastrado, o montador chacinou as sequências de acção e o argumentista não escreveu uma fala espirituosa que fosse nem percebe o que quer que seja de política internacional.

quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Barack Obama

Os advogados conhecem bem a importância do silêncio. Os melhores causídicos não são os que proferem alegações longas e eloquentes, mas os que sabem calar a boca na altura certa. Barack Obama, como brilhante advogado que é, fez um excelente uso do silêncio ao longo da sua campanha. Nunca respondeu na mesma moeda aos ataques pessoais, aos insultos racistas e às insinuações porcas (v.g. a suposta amizade com terroristas) e manteve-se superior aos adversários. O segredo do seu sucesso está sobretudo aí, mais do que nos discursos – aliás emocionantes e inspirados.

segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Hugh Laurie

Hugh Laurie estreou-se na literatura com The Gun Seller. O romance é uma novidade na carreira de Laurie mas não é uma ruptura. Os fãs reconhecerão no livro o humor burlesco de A Bit of Fry & Laurie, o cinismo de Black Adder e a riqueza de pormenores de House. Porém, a sua qualidade mais marcante está no profundo conhecimento dos princípios dramáticos: Laurie é exímio na criação e gestão do suspense e, seja em cima de um palco ou nas páginas de um livro, sabe agarrar a atenção do público.

sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Hoje é um dia nunca

quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Hoje é um dia sim

sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Hoje é um dia não

sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

George W. Bush

O Presidente George W. Bush é um dos protagonistas destas eleições. Toda a gente fala nele, mas não pelas melhores razões. Quem fala pior são os republicanos, a começar pelo McCain, cuja frase mais emblemática foi «I'm not President Bush». Curiosamente, o Bush também pensa mal dele próprio: quase nunca mostra a sua presidencial efígie na campanha e, quando mostra, é apenas para demarcar o candidato do seu partido e dizer que ele é um «reformista». O senhor sabe que se tornou pior que uma doença contagiosa e assemelha-se cada vez mais ao protagonista idealizado por Alfred Hitchcock que trazia o azar e a morte a todas as pessoas com quem lidava.

quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Batman & Superman


domingo, 28 de Setembro de 2008

Die Fälscher

O dilema moral descrito em Die Fälscher (2007) é fascinante. O filme conta a história de dois prisioneiros do campo de concentração de Sachsenhausen, cada qual com ideias muito próprias sobre a sua situação. Adolf Burger é mais idealista e recusa qualquer forma de cooperação com os nazis, mesmo que isso custe a sua vida e a dos seus companheiros. Já Salomon Sorowitsch é mais pragmático e prefere dialogar com os seus carrascos: «Prefiro morrer gaseado amanhã do que hoje por razão nenhuma». À primeira vista, Sorowitsch parece um oportunista sem escrúpulos, mas as coisas são, na verdade, mais complicadas. Ainda que as suas acções possam parecer egoístas, elas correspondem a um dever sagrado que é o da auto-preservação. E foram os seus compromissos com os nazis que permitiram salvar muitos dos companheiros presos. Apesar de não ser recompensado no final, Sorowitsch é o verdadeiro herói do filme.

terça-feira, 23 de Setembro de 2008

A vida é tão boa que a gente às vezes nem acredita

quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Mamma Mia!

O filme Mamma Mia! (2008) estava destinado a ser um êxito. A música dos Abba é a matéria-prima perfeita para um espectáculo destes, porque as suas canções celebram o melhor da vida e os musicais são precisamente o género mais sorridente e optimista. Esta natureza ligeira dos musicais foi lindamente descrita pela protagonista do filme Dancer in the Dark, de Lars von Trier: «I used to dream that I was in a musical, because in a musical nothing dreadful ever happens». Nada de terrível acontece, tudo termina em bem e sabemos que, por maiores que sejam as reviravoltas, as personagens de Mamma Mia! sairão sempre incólumes. Mesmo os momentos mais comoventes e intensos do filme – Meryl Streep interpreta brilhantemente The winner takes it all, os dois protagonistas cantam S.O.S. – não deixam de ter essa leveza. São lágrimas felizes.

terça-feira, 9 de Setembro de 2008

No dia em que choverem rosas, vai cair esterco sobre a minha cabeça

quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Nelson Évora

É um senhor simpático, íntegro e excepcionalmente talentoso, mas gosto dele.

domingo, 10 de Agosto de 2008

Wall Street

Michael Douglas ficou um pouco incomodado com a popularidade do seu Gordon Gekko. O vilão do filme Wall Street (1987) é um indivíduo odioso e sem escrúpulos, mas o público ficou encantado com o seu charme. Porém, Douglas não tem de ficar preocupado, porque a sua interpretação foi, na verdade, brilhante e a reacção dos fãs é a mais lisonjeira possível. Gekko é uma representação do mal absoluto, ele é o próprio diabo. E o diabo, à superfície, não tem nada de repugnante. Ele é mais sedutor, mais subtil e mais sofisticado que Deus, porque só assim consegue conquistar os corações dos homens. Gordon Gekko é o último representante de uma longa linhagem de diabos encantadores e cínicos que inclui o Mefistófeles de Goethe ou o caçador de Gotthelf. Mas ainda que represente o mal, ele é também, inconscientemente, uma força do bem. Através dos seus esforços para corromper e destruir o protagonista, Gekko força-o a reagir com acções positivas e é, por isso, o agente da sua salvação final.

segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Gostava que os Snrs ..., ... e ... morressem mil mortes dolorosas e eu pudesse assistir a todas

quarta-feira, 30 de Julho de 2008

The Dark Knight

A sequência da caverna no primeiro Batman, de Tim Burton, é muito reveladora. O protagonista fala dos morcegos que cobrem o tecto da caverna e diz que são «great survivors». É um belo momento de auto-reflexividade, porque a capacidade de sobrevivência do mito criado por Bob Kane é, na verdade, notável. Batman continua a resistir a todas as modas e conjunturas e os dois últimos filmes de Christopher Nolan vieram assegurar a sua longevidade. Não são nenhum deslumbramento, mas são as obras adultas e credíveis que a série, depois do fiasco de Joel Schumacher, precisava. Também o novo Joker, brilhantemente interpretado por Heath Ledger, é mais intenso, mais humano, mais assustador. É o vilão ideal para um filme como The Dark Knight. A actuação de Ledger é memorável e a tão falada nomeação póstuma para os óscares seria um prémio justíssimo, além das maravilhas que faria pelos níveis de audiências da cerimónia.

sexta-feira, 25 de Julho de 2008

Metropolis

«Lost scenes from the sci-fi classic "Metropolis," recently discovered in the archives of a Buenos Aires museum, were shown to journalists for the first time in decades on Thursday.

A long-lost original cut of the 1927 silent film sat for 80 years in a private collection and then in the Museum of Cinema in Buenos Aires, where it was discovered in April with scratched images that hadn't been seen before.

Museum director Paula Felix-Didier said theirs is the only copy of German director Fritz Lang's complete film.

"This is the version Fritz Lang intended," said Martin Koerber, a curator at the Deutsche Kinemathek film museum in Berlin, Germany.»
(more)

terça-feira, 22 de Julho de 2008

The Happening

The Happening (2008) é a aposta mais arrojada de M. Night Shyamalan. Desta vez, o talentoso realizador quis fazer um filme catástrofe com o mínimo de meios que fosse possível. Efeitos visuais, banda sonora e argumento foram reduzidos à sua expressão mais singela. Tudo o que M. Night Shyamalan precisa para filmar convincentemente o fim do mundo é de uma câmara e alguns actores, mais nada. Por enquanto, não se pode dizer que esta aposta tenha sido totalmente ganha. Os críticos americanos parecem não ter compreendido o filme e falam em incongruências, inconsistências e inverosimilhanças. Mas o tempo é um excelente conselheiro nestas coisas e não deixará de favorecer esta brilhante obra.

domingo, 20 de Julho de 2008

Norman Mailer

O romance The Castle in the Forest (2008), de Norman Mailer, procura explicar as origens de Hitler. Mailer acredita que o líder nazi, ainda que não deixe de ser moralmente responsável pelos seus crimes, poderá ter sido manipulado por forças demoníacas. É uma possibilidade extraordinária, mas não deixa de ser historicamente rigorosa ou relevante. O trabalho dos historiadores não consiste apenas numa síntese de factos particulares, mas também na concepção de hipóteses que expliquem as relações, nem sempre evidentes ou verificáveis, entre esses factos. Este carácter hipotético aproxima romance e história, conforme sublinhou o próprio Norman Mailer: «If the novel is good enough, in the end what is created is a mental reality that is very useful for others to contemplate when they’re reading history. In other words, it’s almost as if this is not the way it happened, but keep this in your mind when you’re reading about what did happen, because it may offer insights that you wouldn’t have just by sticking to the facts.»

sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Armin Mueller-Stahl

Armin Mueller-Stahl é um actor excepcional. Mas é também um artista subaproveitado, porque muitos dos trabalhos que lhe dão não estão à altura do seu talento. Vimo-lo sobretudo em papéis mais ou menos secundários, como o jurado de 12 Angry Men ou o mafioso russo de Eastern Promises. Porém, o Mueller-Stahl confirma que em cinema não há papéis pequenos. A sua presença deixa uma marca profunda e silenciosa em todos os filmes e assegura que, venha o que vier, o dinheiro do bilhete foi bem investido. Não é um actor, é um anjo da guarda.

sábado, 12 de Julho de 2008

Vai Tudo Abaixo

Vale a pena ouvir a dupla Tonzinho e Vininha no programa Vai Tudo Abaixo. Os dois músicos brasileiros interpretam temas de bossa nova que são notáveis sobretudo pelas suas letras. As palavras não são tomadas no seu sentido literal e a graça está precisamente aí: mágoa substitui pachacha, dor substitui pila e sofrimento surge em vez de queca. Ou seja, as palavras significam aquilo que os músicos querem que elas signifiquem. Isto faz da dupla brasileira o número mais poético do programa. A essência da poesia está nessa dissociação permanente de significantes e significados. A linguagem altera-se, renova-se, ganha asas.

quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Se7en

«[...]The point of that scene in part was to continue heaping on this idea that this is a world where there are nothing but awful ugly choices people have to make. What would ordinarily be happiness gets contorted by reality and it weighs on them like a heavy suffocating dirty coat or like constant rain, or a foul smell that won't go away. It creates sympathy for the Gwyneth Paltrow character and leaves you wondering which unpleasant path is she going to take and adds more to the tragedy later. Not that it should make my opinion weightier but I spent a lot of time working on the film. I (with others) made gluttony and sloth. I know Morgan Freeman is known for playing wise but in this movie and in that scene he isn't giving the advice he would like to give in a normal world. He is giving advice for the stinking world he lives in. You think he enjoyed giving the advice kill the baby and lie about it? Of course not. It stank in his gut. There is no sunshine in Seven. No joy. No happy retirement or rest. No happy endings for anybody. This isn't a movie where there is the possiblility of the thought of happily bouncing a baby on your knee. Where does giving advice about hope and making pleasant choices fit into this movie? Seven is about normal thoughts twisted around barbed wire. It was all the more depressing because when Seven came out the world seemed to be swimming in these murky no win questions.»

(in http://www.rottentomatoes.com/vine/showthread.php?t=160107&page=8&pp=30)